Com cinismo e desprezo pelos trabalhadores

<em>Ecco</em> despede mais 369

A administração da multinacional dinamarquesa deu sexta-feira «a notícia positiva de que se mantêm 260 postos de trabalho», querendo assim anunciar o despedimento de 369 operárias e operários.

O Governo não deveria ficar indiferente à deslocalização

A direcção regional de Aveiro do PCP, através do seu organismo de empresas, acusou a multinacional dinamarquesa de calçado de, mais uma vez, desprezar os direitos dos seus trabalhadores, surpreendidos dia 6 com a notícia daquele despedimento, a concretizar até ao fim do mês. Até ao final da próxima semana, a empresa aceita «rescisões por mútuo acordo», ameaçando avançar de seguida com um despedimento colectivo.
Num plenário, segunda-feira, a que assistiu uma delegação do Partido, a coordenadora do Sindicato do Calçado de Aveiro e Coimbra e o secretário-geral da CGTP-IN apelaram aos trabalhadores para que resistam e não tenham «pressa em ir para o desemprego». A União dos Sindicatos de Aveiro, manifestando solidariedade ao sindicato e aos trabalhadores, anunciou que participaria na manifestação anunciada para ontem, desde os portões da empresa até à Câmara Municipal da Feira.
A Ecco’let (abreviatura de Ecco Factory Outlet) justificou a redução de 60 por cento do pessoal, na fábrica de S. João de Ver (Fiães, Santa Maria da Feira), com a deslocalização da produção para a Eslováquia, Tailândia e Indonésia. Segundo a USA/CGTP-IN, a produção que sai para aqueles países é de 1,7 milhões de pares de sapatos por ano, num total de 2,5 milhões.
Não é esta a primeira vez que a Ecco’let faz despedimentos, prometendo que serão os últimos. «De promessa em promessa, vão trilhando o caminho do encerramento», receia a USA, preocupada com as graves consequências da deslocalização, num concelho «que é já hoje aquele que se confronta com o maior número de desempregados».
Em Fevereiro de 2003, lembra o organismo de empresas da DORAV do PCP, a multinacional afirmava, em comunicado, o objectivo de «manter mais de 700 postos de trabalho, e tornar a Ecco Portugal num centro de produção de alta tecnologia, com capacidade para competir nas mais adversas condições de mercado». «Aliás, ao longo dos últimos anos, a empresa tem vindo a introduzir importantes investimentos, utilizando para isso avultados apoios comunitários», notam os comunistas.
O comunicado de imprensa refere que o PCP «há longo tempo vem alertando para esta situação», reclamando do Governo «uma intervenção imediata em defesa dos postos de trabalho».
Estas posições foram levadas segunda-feira à Assembleia da República, num requerimento do deputado comunista Jorge Machado, procurando resposta do Ministério do Trabalho para três questões: se o Governo tem conhecimento da situação, que medidas tenciona tomar para evitar a destruição daqueles empregos e se, caso se concretize a intenção da multinacional, o Governo tenciona ou não desencadear os mecanismo necessários para exigir a devolução dos montantes financiados pela UE.

CDU atenta

Na Assembleia Municipal de Santa Maria da Feira, dia 22 de Dezembro, a CDU chamou a atenção para a situação social no município, em especial os despedimentos anunciados a pretexto de reestruturações e deslocalizações. O presidente da Câmara, apesar de ser por duas vezes interpelado pela deputada municipal Lúcia Gomes, «não pronunciou sequer uma palavra», refere um comunicado da CDU.
Após a notícia de dia 6, já acorreu o edil a anunciar que «a Câmara tentará promover cursos de formação profissional para alguns dos trabalhadores» que a Ecco quer despedir – uma posição que chega «apenas depois do facto consumado».
A CDU, afirmando a solidariedade para com os trabalhadores da Ecco’let, previne que continuará atenta à situação na Rohde e na Amorim & Irmãos, «que se revelam como sucessoras da Ecco no agravamento da situação social».


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